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Portugal, um retrato social

Excerto do video “Portugal, um retrato social, Ganhar o Pão”.

Ganhar o Pão

  • Como evoluiu Portugal nas últimas 4 décadas segundo António Barreto?
  • Porque se denomina (Castells & Cardoso) “Sociedade proto-informacional”?

Questões levantadas em sequência do visionamento do video.

  • Casos de sucesso, são mesmo uma excepção?
  • Visão pessimista da evolução e sociedade portuguesa.
  • Posicionamento de Portugal na economia Europeia e Global.
  • Situações de mercado, rendimento, apetência para a inovação e empreendedorismo.
  • Assimetrias tecnológicas, de recursos humanos e acesso a financiamento.
  • Evolução das métricas da Sociedade em Rede.
  • Defice de infra-estrutura empresarial, capacidades de gestão.
  • Forte dependência do Estado por parte das empresas.
  • Potencial da sociedade portuguesa (Recursos humanos, capacidade empresarial, orientações claras por parte do Estado)

Ao longo da semana, deixe aqui o seu comentário relativamente a esta temática.

 

Comentários»

1. Pedro Capão - 8, Abril, 2008

O Índice de Desenvolvimento Humano (HDI) coloca Portugal na 28ª posição entre 177 países, no grupo de Alto Desenvolvimento Humano, 4 posições atrás da Grécia. A evolução do HDI é positiva para Portugal mas ao compararmos países que partiram na mesma situação que Portugal em 1975 verificamos que os países asiáticos conseguiram um desempenho mais eficaz enquanto países europeus, da América Latina ou Médio Oriente, partindo de situações similares, mostraram piores desempenhos evolutivos.

À semelhança de grande parte dos outros países desenvolvidos, Portugal sofreu uma urbanização da sua população.

A taxa de literacia portuguesa é relativamente baixa embora o índice educacional revele uma realidade mais razoável. Quanto ao investimento em educação, é notório o deficit de investimento no ensino superior até 2004 que não se deve a um deficit proporcional de alunos.

As telecomunicações colocam-nos no patamar dos países mais desenvolvidos mas a utilização da internet manda-nos para níveis bastante inferiores. Os dados relativos às competências de utilização de internet mostram uma grande assimetria na população portuguesa que assume classificações elevadas tanto na falta de competências como em elevadas competências.

2. Blogue de Inovação « Blogue de Inovação - 8, Abril, 2008

[...] Portugal, um retrato social [...]

3. ruca1956 - 9, Abril, 2008

As assimetrias de que o Pedro fala estão ligadas à natureza de sociedade proto (primitiva)-informacional. O “contágio” das novas tecnologias fez-se sobretudo nas classes etárias mais jovens, com 48% dos indivíduos de 16-24 anos apresentando um alto nível de competências informáticas, claramente acima da média da UE25 de 40% e mesmo acima da Itália, Alemanha e, pasme-se, da Suécia!
O lado negro da medalha, com metade da nossa população de idade madura (25-54) sem competências informáticas, 20 pontos acima da UE, espelha o carácter de alguma forma dual da sociedade proto-informacional.

4. Sofia Bento - 9, Abril, 2008

Pois, os indicadores mostram de facto tendências complexas e contraditórias ora de progresso relativo (sobretudo quando comparados com décadas anteriores em Portugal no que toca por exemplo ao investimento em I&D) mas também nos indicam insuficiências a nível da preparação da população (competências e utilização da internet, por exemplo). Ora, como temos visto a população é feita de utilizadores, consumidores, pessoas, que são igualmente constructores da nova sociedade da informação.De que forma esta população poderá participar mais activamente no desenvolvimento desta sociedade?como poderemos agir para que não crescam os excluídos?Penso que num primeiro momento, é preciso saber de onde se vem, para sabermos no que podemos vir a ser…

O interesse do documentário do António Barreto para esta discussão é por isso grande. É antes de mais um testemunho vivo de épocas passadas e capta esta realidade social e económica que se alterou tremendamente com a recomposição profissional e dos sectores económicos, a transformação das estruturas económicas, a urbanização das populações, a feminimização da mão-de-obra, a transformação dos padrões de vida, a escolarização massiça das novas gerações…esta realidade ainda está perto de nós, ainda nos lembramos de vivências enquadradas nos cenários de industrialização dos anos 70 e 80.Povo iminentemente rural, pobre, os Portugueses transformaram a sua forma de viver e habitar em sociedade.

Após o visionamento do filme nas aulas, os colegas disseram que era inevitável ficarem deprimidos. Achei interessante esta percepção, legítima também…Sem dúvida que além de Barreto nos mostrar o que nós eramos e como vivíamos nos anos 50 e 60, e isso reflectir aquilo que já esquecemos (para a maioria dos presentes), Barreto aborda cirurgicamente os erros políticos no âmbito das políticas da agricultura, do ordenamento do terrítório e da economia.

Sobre esta percepção de pessimismo , acrescentaria dois pontos:
- é bem verdade que o documentário não dá de Portugal um retrato optimista, em grande parte porque praticamente não refere a questão da terciarização e em bom rigor também não entra nas áreas de desenvolvimento da ciência e da tecnologia.Há outros documentários que tocam mais estes aspectos…
- mas neste documentário em particular, não relatando estas dimensões no documentário, ganha-se a ideia de que na mudança há sobretudo políticas erradas, actores enganados, e reacções passivas de eleitores, consumidores e utilizadores portugueses.Ora, Portugal dá conta ao mesmo tempo dos problemas países menos desenvolvidos (falta de qualificação, pouco investimento em ID)e de problemas típicos de países desenvolvidos (exclusão, envelhecimento da população…). Mas simultaneamente estamos a braços com mutações drásticas.Gustavo Cardoso será menos pessimista quando fala de sociedade dual; as propostas de Beck por exemplo do que diz respeito à forma de fazer política numa sociedade de risco também apelam para possibilidades de reflexividade.
As expectativas de uma sociedade, os critérios de avaliação de uma mesma sociedade não são hoje dados estáticos;será que podemos também pensar que estas expectativas e os designios de uma sociedade poderão ser mais elaborados, construídos, definidos e modificados pelos próprios elementos dessa mesma sociedade?não será o que acontece à medida que mobilizações, intervenções mais participativas têm visto a luz na sociedade portuguesa?